Sobre futebol e jornalismo: Neymar marcou de pênalti, mas nós perdemos a Copa.

Antes de qualquer coisa, é preciso esclarecer: a intenção aqui não é defender o ódio a um aparelho que se tornou indispensável no dia a dia, muito menos contrariar a proposta deste site.

A verdade é que motivos para odiar o celular, pelo menos em alguns momentos da vida, não faltam. Também não faltam exemplos dos riscos que ele representa quando é usado de forma irresponsável. Ainda assim, é impossível negar sua importância.

Essa introdução ajuda a explicar a foto registrada na tarde de domingo, 5 de julho, cerca de três horas antes da partida da Seleção Brasileira contra a Noruega. Curiosamente, a imagem não foi feita com um celular meu, simplesmente porque eu não tinha um. Ou talvez, quando você estiver lendo este texto, eu já tenha. Afinal, talvez eu odeie o celular… mas quem sou eu?

Vamos falar de futebol e de jornalismo, sem procurar culpados. Antes mesmo de discutir a derrota do Brasil, vale lembrar que Neymar marcou de pênalti e comemorou diante do goleiro adversário. Mas quem acabou derrotado foi o Brasil. E, sem entrar na falta de sintonia entre o “eu”, o “nós” e o “ele”, voltamos ao jornalismo. Afinal, esta publicação também faz parte de um novo projeto editorial em Franca.

A Folha Franca nasce com a proposta de fazer um jornalismo baseado em fatos. Informação de verdade, registrada no momento em que acontece, como a foto feita antes da partida. Não vivemos apenas do passado, embora saibamos da importância da memória. Por isso também preservamos a história da cidade.

O passado, tanto no futebol quanto no jornalismo, serve para provocar reflexões e ajudar na construção de um futuro melhor. Aqui, por exemplo, reunimos algumas de muitas imagens que mostram quem financiou o jornalismo em Franca ao longo dos últimos tempos.

Mas voltemos à fotografia do domingo.

Registrada de dentro de um carro de aplicativo, muito antes do início da partida, ela mostra a rodovia que corta Franca praticamente vazia. As ruas silenciosas e o comércio fechado revelavam uma cidade inteira em concentração. Assim como os jogadores, milhares de brasileiros haviam parado para acompanhar a Seleção. A fotografia, por si só, já era notícia.

O problema é que, em tempos de celulares gravando tudo o tempo inteiro, ficou mais difícil distinguir informação de jornalismo.

A informação pura e simples diria apenas que o Brasil perdeu. Isso é notícia. Mas o jornalismo precisa ir além do resultado. Deve explicar, contextualizar, questionar e revelar aquilo que muitas vezes permanece escondido.

Um dos males da mídia está justamente na omissão quando determinados interesses econômicos influenciam a forma como alguns assuntos são tratados. Fake news não é apenas publicar algo falso na internet; também pode existir quando fatos importantes são omitidos ou apresentados de maneira conveniente. Não dá para falar sobre notícia sem falar em jornal…

O mesmo país que parou para assistir ao jogo cobrava da Seleção mais dedicação, argumentando que seus jogadores recebem salários milionários. É uma discussão legítima. Assim como é verdade que a informação pode gerar lucro, o jornalismo exige algo além do interesse financeiro.

O futebol movimenta bilhões, mas a Seleção representa algo que vai além do mercado. Ela desperta paixão, identidade e sentimento nacional.

Neymar converteu o pênalti. Mas isso não foi suficiente para evitar a derrota brasileira. Talvez esteja aí uma das principais lições: na comunicação, assim como no jornalismo, não se pode escolher um lado quando o compromisso maior deve ser com os fatos.

Se fosse possível estabelecer um paralelo entre futebol e jornalismo, talvez disséssemos que à Seleção faltou um pouco do que também faz falta a parte da imprensa: colocar o interesse coletivo acima do individual. Quando veste a camisa amarela, espera-se que o jogador represente o país antes de representar a si mesmo. No jornalismo, espera-se o mesmo princípio: que a verdade esteja acima de qualquer interesse.

Mas isso nos leva a uma pergunta inevitável: quem paga o jornal?

Em Franca, essa resposta já foi dada.

Nossas origens comprovam a ligação com Franca e o compromisso com a cidade. Mas somos uma rede de comunicação e acreditamos que o jornalismo ultrapassa qualquer fronteira geográfica.

Temos muito a mostrar. E, antes mesmo de iniciar plenamente todos nossos projetos, fazemos questão de deixar claro quem financiará nosso trabalho e quais princípios orientarão nossa atuação. Transparência é um dos pilares da credibilidade. A origem dos recursos não pode determinar a linha editorial de um veículo de comunicação. A notícia deve ser guiada pelos fatos, nunca pelos interesses de quem a financia.

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